Golpe do imposto calculado errado: o e-mail que parece um desconto e custa caro
Esse golpe explora algo poderoso: a sensação de ter feito um bom negócio. A vítima recebe um e-mail aparentemente legítimo de um fornecedor real, com uma "correção" que reduz o valor de um boleto prestes a ser pago. Acaba pagando o valor "corrigido" para o golpista — e dias depois recebe a cobrança real do fornecedor verdadeiro. Resultado: a empresa paga duas vezes pelo mesmo produto.
Como o golpe funciona
O esquema acontece em etapas, e a primeira delas geralmente passa despercebida:
- O golpista compromete previamente uma caixa de e-mail — quase sempre da própria vítima.
- Identifica uma transação real em andamento (boletos, pedidos, notas fiscais).
- Envia para a vítima um e-mail com nota fiscal e boleto "corrigidos", oferecendo um desconto que costuma ser de ~18% (alíquota comum de ICMS/PIS/COFINS).
- A vítima paga o boleto adulterado, achando que economizou.
- Dias depois, o fornecedor real cobra o valor original — e a vítima paga em dobro.
Exemplo real: como reconhecer os sinais
Veja abaixo um e-mail de golpe real que recebemos (com nomes alterados para fictícios). Os sinais de alerta estão evidentes — você consegue identificá-los?
- Domínio Gmail no remetente — empresas reais usam o próprio domínio (ex.: [email protected]), nunca @gmail.com com nome aleatório.
- Inconsistência no nome da empresa — o remetente diz "CONTOSO LTDA" mas a assinatura no rodapé diz "CONTOSOL LTDA" (com "L" a mais). Esse tipo de detalhe é típico de golpe.
- "Desconto" suspeito — a redução de R$ 1.550,69 para R$ 1.457,90 representa exatamente os ~6% que cabem em "ajustes de ICMS/PIS" — número escolhido para parecer plausível.
- Senso de urgência — o e-mail pede que o boleto antigo seja desconsiderado e o novo, pago com prazo curto.
5 verificações para não cair no golpe
1. Confira o domínio do e-mail do remetente
Verifique se o endereço de e-mail é mesmo da empresa fornecedora. Golpes raramente conseguem usar o domínio real — quase sempre vêm de @gmail.com, @hotmail.com, @outlook.com ou de domínios de outras empresas que foram comprometidas, mas nunca o da própria fornecedora.
2. Avalie se o "novo cálculo" faz sentido
Se você comprou um produto cuja alíquota de IPI é 30% e a mensagem diz que o correto seriam 18%, desconfie. Empresas de verdade não erram cálculos básicos de imposto — e quando erram, costumam emitir uma nota fiscal de devolução, não um boleto novo via e-mail.
3. Use DDA e confira o favorecido na tela do banco
Sempre que for pagar um boleto, dê prioridade a boletos que utilizam o sistema DDA (Débito Direto Autorizado). Assim você garante que está pagando para quem deve. Se for um boleto impresso ou em PDF, confira no app do banco se o favorecido que aparece é o mesmo do PDF — boletos adulterados frequentemente mostram um nome no documento e outro completamente diferente quando o código de barras é lido.
4. Em qualquer dúvida, ligue pelo telefone oficial
Entre em contato com o fornecedor através do telefone que consta no site oficial, no contrato ou no orçamento inicial. Jamais use o telefone ou e-mail contidos na própria mensagem suspeita — eles podem ser do golpista.
5. Faça varredura de antivírus antes de redefinir senhas
Como na maior parte dos casos o golpista chegou até você porque comprometeu seu e-mail, peça à TI da sua empresa uma verificação completa com antivírus no seu computador e na rede. Só depois da varredura, redefina a senha do e-mail.
- NÃO redefina a senha do e-mail antes da varredura antivírus — a senha nova pode ser vazada do mesmo jeito.
- Se você já pagou o boleto fraudulento, contate o banco imediatamente e abra um boletim de ocorrência.
Resumo rápido
- ✅ Confirme o domínio do e-mail do remetente
- ✅ Avalie se o "novo cálculo" de imposto faz sentido
- ✅ Use DDA e confira o favorecido na tela do banco
- ✅ Em dúvida, ligue pelo telefone do contrato/site (nunca do e-mail)
- ✅ Faça varredura antivírus antes de trocar a senha do e-mail
- ❌ Nunca pague um boleto "corrigido" sem confirmar
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